Quantas pessoas você leva para a cama? Uma reflexão terapêutica sobre identidade, crenças e sexualidade feminina
- Leila Vieira

- 11 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 26 de set. de 2025
Uma reflexão terapêutica sobre sexualidade, crenças e identidade feminina
A cama, lugar simbólico de intimidade, descanso e entrega, guarda histórias que vão muito além do ato sexual. Ela carrega as marcas do que vivemos, do que fomos ensinadas a sentir, do que calamos por medo ou vergonha.
Por isso, quando pergunto "Quantas pessoas você leva para a cama?", não estou falando apenas de parceiros. Estou falando de memórias, traumas, julgamentos e crenças que, mesmo em silêncio, nos acompanham ali.

Esse é um convite a olhar para sua sexualidade de forma mais profunda, amorosa e libertadora. Afinal, a forma como vivemos nossa intimidade revela muito sobre quem somos, o que acreditamos — e, muitas vezes, o que ainda precisamos curar.
A herança invisível da sexualidade feminina
Essas crenças, mesmo quando não mais conscientes, continuam operando no corpo e nas emoções. Podem causar baixa libido, dificuldade em sentir prazer ou uma sensação constante de inadequação. É como se a mulher levasse para a cama não só o parceiro, mas também a opinião da mãe, da igreja, da sociedade — e, sobretudo, a sua própria autoimagem fragmentada.
Sexo e identidade: onde você se perdeu de si?
O corpo tem uma memória. Muitas mulheres vivem o sexo como um dever, e não como um espaço de troca e prazer. Isso cria um abismo entre o que se sente e o que se expressa. Quando o desejo é reprimido, o toque se torna vazio, e o prazer, uma obrigação.
É importante se perguntar: quantas vezes você esteve com alguém apenas para se sentir amada? Quantas vezes fez sexo sem desejar, apenas para manter o relacionamento? Quantas vezes disse “sim” com o corpo, mas “não” com a alma?
Essas experiências se acumulam. Levamos para a cama a menina que aprendeu que era errado sentir prazer. Levamos a mulher cansada que acredita que precisa “dar conta de tudo”. Levamos, inclusive, o medo do abandono, o desejo de validação e até a expectativa de que o outro nos cure.
A neurociência mostra que experiências de repressão, vergonha ou medo — principalmente na infância — ficam registradas em áreas do cérebro como a amígdala e o hipocampo. Essas marcas inconscientes ativam respostas de alerta, tensão ou desconexão mesmo em momentos seguros, como durante o sexo com um parceiro amoroso.
Essa desconexão interna gera frustração, insegurança, conflitos nos relacionamentos e uma sensação de inadequação constante. Ela não sabe, mas está lutando contra as vozes antigas que nunca foram suas de verdade.
É aí que o desenvolvimento emocional entra como chave de transformação. Ao ampliar a consciência sobre essas crenças e emoções, a mulher começa a se reconectar com seu corpo, seu desejo e sua autonomia — com leveza, presença e respeito à sua própria história.
O prazer como expressão de presença e consciência
Quando falamos em sexualidade terapêutica, estamos falando sobre reconexão. Reconexão com o corpo, com o desejo, com a própria verdade. Precisamos falar sobre educação sexual com consciência. A psicóloga Laura Müller defende que o prazer só é possível quando há presença. Estar presente no corpo, no toque, na respiração — sem máscaras.
Enquanto não houver espaço para uma educação sexual sólida, respeitosa e realista, muitas mulheres continuarão levando para a cama não apenas seus parceiros, mas também os julgamentos que aprenderam a reproduzir.
No Instituto Hiddes, utilizamos abordagens que integram terapia sexual positiva, mindfulness e regulação emocional para ajudar mulheres (e casais) a resgatar uma vivência sexual mais livre, espontânea e consciente. A sexualidade não deve ser um fardo, mas uma ponte de intimidade e autenticidade.
Como saber se você carrega pesos na sua sexualidade?
Algumas perguntas que podem revelar o que você leva para a cama — além do outro:
Você sente vergonha do seu corpo?
O prazer sexual está presente, ou é algo secundário?
Você sente que pode expressar seus desejos livremente?
Já sentiu que precisa “cumprir um papel” na cama?
Tem memórias sexuais que ainda causam dor ou desconforto?
Se suas respostas apontam para algum desconforto, saiba que você não está sozinha — e que é possível transformar essa realidade com acolhimento, autoconhecimento e apoio terapêutico.
Reescrevendo sua história íntima
Não se trata de quantidade, mas de qualidade. Não importa quantos parceiros você teve, mas se você estava presente em cada encontro, se respeitou seus limites, se houve reciprocidade, cuidado e prazer.
Como diz Clarissa Pinkola Estés em “Mulheres que Correm com os Lobos”:
“Ser sexual é apenas uma parte de quem você é. Mas quando essa parte é ferida, toda a mulher sente.”
E, quando é curada, toda a mulher floresce.
Conclusão: libertar-se para se reencontrar
A cama pode ser um altar do amor ou o palco da dor repetida. Ao refletir sobre o que (ou quem) você tem levado para a cama, você dá um passo importante em direção à sua liberdade.
Se deseja reconstruir uma relação mais saudável com sua sexualidade, resgatar sua autonomia íntima e se libertar das amarras invisíveis do passado, nós podemos caminhar com você.
Se esse texto tocou algo em você, compartilhe, comente ou envie para alguém que pode se beneficiar dessa reflexão. Seu corpo merece ser um lugar de presença, não de prisão.
No Instituto Hiddes, acolhemos sua história com respeito, escuta e cuidado. Entre em contato, agende uma conversa inicial e conheça nossa Terapia Sexual Positiva e Terapia de Desenvolvimento Emocional para mulheres.




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